23 fevereiro 2011

Dádiva...


Apareces assim,
Tão de repente...

Mudas meu itinerário,.
Fragmentas minhas bases ideológicas,
E refazes meu roteiro...

Devolvendo o que se foi de mim,
Resgata retalhos de vida
No exemplo de tua dignidade

Abraças o abstrato que em ti simbolizo.
Abraço o concreto que em mim simbolizas.

Faço da tua essencialidade
O motivo para recomeços...
De onde parto do incerto,
E convenço-me do inteiro...

Ergue-me.
Sustenta-me.
Ensina-me,
Acompanha-me.

Não obstante ser eu,
Anônima para teu olhar curador...


Karina Alcântara




20 fevereiro 2011

Confissão


Minha submissão moral a ti,
Permite desnudar a minha essência.

A transparência do meu ser,
Faz-me reflexionar com meu ego hesitante...

Aprisiono-me diante dos meus passos incertos,
Porém certos do meu querer substancial.

A minha sentença?

Diluirei na reconstrução das minhas bases interiores,
Dos meus anseios e dissabores...

E a escuridão que provém do meu verbo interior,
Trará-me a possibilidade de divisar a réstia de luz
Da minha salvação...

Karina Alcântara

05 fevereiro 2011

Amei


Amei
                      
Amei a mim em voce,
Amei você em mim,
Em cada gesto, em cada afeto,
No sorriso desabrochando,
Vendo o vento levando
Um pouco de mim e de você.

Amei a hora, o segundo,
O momento escuro, sem luz
Onde a vida se reproduz
No interior mais profundo.
Amei a nuvem que passa
Em teus braços que me abraçam.

Amei naquela hora
A saudade que demora,
Que teima em não sair
E não deixa você vir.
Amei o futuro distante,
Feito de mim e de você.
                                                                                                                
                                                                                                                 Ubiratan Aguiar
(Extraído do livro Passageiro do Tempo – Edições Livro Técnico)

30 janeiro 2011

Aprendizado



O fardo que me pesa nos ombros
O sustento com a fé que de mim emana

As lágrimas que de mim escorrem,
As enxugo com a esperança que me assoma no peito

As dores que me visitam o ânimo
As minimizo com o bálsamo da caridade

Porque resta-me a certeza incontesta:
Que o muito que se subtrai de mim
Nas possibilidades que permito,
É pouco no aprendizado que me edifica...

Karina Alcântara

Reconstrução


Minha amplitude se renova
A cada alvorecer de esperanças
Ladeadas por um sonho novo
Da paz que se fez lembrança.

Fazes de mim meu tormento único
Do muito que te possibilito agir
Se nas fibras não desfaço o jugo
Irei por vias sinuosas seguir

Construo com erros e acertos
O aprendizado salutar
Dores e risos me banham a alma
Meu resumo particular...

O tempo, verdugo e conselheiro,
Faz-se irreverente em meu ser
Profilatiza futuros desenganos
Urdindo um novo renascer.
Karina Alcantara

23 janeiro 2011

Partidas...


Olho para dentro de mim...
Sinto a saudade aprisionar minha quietude.
Não mais contemplo gestos simples,
Falas destituídas de rebuscamentos,
Risos cristalinos ecoando,
Ou lágrimas dolentes sendo enxugadas...

Saudades que viraram lembranças.
Ainda vivificam em mim.
Os afetos mais caros ao meu coração...
Não mais os terei perto...
Não mais os verei perto...

Foi com a esperança de tornar a vê-los,
Que os perdi...
Sem a oportunidade da despedida...

Na hora extrema da partida.
Dizer o adeus dolorido..
Ou de se pedir o perdão desejado...

Tudo é tempo, tudo é certo,
Não percamos preciosas oportunidades
De doação afetiva
Aos que nos são inteiros em nosso ser...

Karina Alcântara



11 janeiro 2011

Introspecção



             São nas horas mais silenciosas, que viajamos no nosso interior, interagimos com nossas perspectivas, argumentamos com nossas possibilidades e gerenciamos os fatos já concretizados, frutos de nossa racionalidade ou intemperança...
             A reflexão e a ponderabilidade nos suscita a reformulação dos paradigmas e condicionamentos que já tornaram-se há muito desnecessários em nossa vida, mas que tiveram seu papel no nosso processo de maturação e reforma pessoal.
             A verdade é que, muito de nossa essência não cabe em palavras, nem conceitos. Pouco de nós é visto ou falsamente interpretado pelos que desconhecem a maestria de desvendar a inteireza do outro de forma gradativa. Os conceitos apressados pouco devem importar, pois somos aptos a acolher a concepção maturada daqueles que nos são caros em estima, ainda que, por algumas vezes, eles não nos vejam na nossa mais intensa completude e significância... Por ainda não nos permitirmos por completo...
             Sejamos para nós e para os outros, o que somos em essência... Vivamos livres de atavios morais que não fazem parte de nós... A vida não é uma encenação, antes, uma realidade...
             Sermos presas de nós mesmos exige por demais abstração de algumas convicções interiores. Desapegar-nos do que algema, exige a reconcretização de valores arraigados que porventura se transmutaram no decurso do tempo e das circunstâncias...   
             Sermos nós em nossa plena essência exige a congruência de nossos valores e princípios, exige a busca constante de nossos arquétipos emocionais... Exige de nós, sermos nós mesmos, independente de como os outros nos traduzam...
             Somos livres para viver da forma que nos faz realizados, plenos.
            Que os outros enxerguem o que de melhor temos para servir-lhes de referencial. Que enxerguem da mesma forma, o que de pior temos, e nos sirvam de referencial com o que de melhor eles tenham...
             Sejamos sempre assim, nós mesmos, na nossa íntegra essencialidade...

Karina Alcântara

Tempo de reflexão!


 
 Estamos o tempo todo experimentando oportunidades para transformarmo-nos internamente, despindo-nos da velha carcaça de hábitos e valores há muito enraizados, seja porque não mais nos são úteis ou porque nos podam a flexibilidade de iniciativas de mudanças.
Tempo de reflexão, tempo da espera...
Permitamos que o outono se faça dentro de nós ensejando-nos transformações. Sejamos como uma árvore frondosa, que às primeiras lufadas do vento frio outonal, permite-se à sua muda...
Primeiramente cobre-se de tons acobreados e dourados, aquarelando a paisagem, com um belo espetáculo digno de platéia. Analogamente, esse acontecimento nos remete à situação de reflexão interior, que deve ser alimentada dentro de cada um de nós. Remete-nos ao reconhecimento de que os excessos nos pesam na bagagem e que precisam ser minimizados.
A perda das folhas segue-se, numa profusão de incessante obediência à lei natural. Metaforicamente falando, processam-se em nós a perda de condicionamentos há muito arraigados em nosso íntimo. Despojamo-nos de tudo o que nos trai, nos aniquila, nos impede o conhecimento. Como a árvore que livra-se de suas velhas folhas...
O inverno gélido a vergasta, e ela desnuda, oferece-se ao flagelo da natureza resistindo heroicamente às rajadas impetuosas do vento intempestivo. Humildemente dobra-se ao açoite do algoz, que a subjuga e mostra todo o seu poderio devastador. Da mesma forma, nos curvamos ao peso regenerador de nossas aflições, dobrando os joelhos em prece sentida enquanto as lágrimas nos banham a alma... E vemos quão pequenos somos sem Deus, quão vulneráveis ficamos diante dos desafios e desalinhos, muitos deles, provocados por nossas invigilâncias....
Mas, como pela lei divina tudo se transforma, após o inverno de aflições, chega a primavera, e com ela, a vida estuante com suas cores singelas...  A transformação se completa em sua grandeza maestrina. O homem velho destitui-se de sua antiga roupagem para revestir-se de outra mais substanciada em novos atributos, em nova essência, em um novo ser...
E assim marchamos, urdindo novos propósitos, alinhavando em nós a esperança, buscando a cada dia sorvermos o néctar provedor de nossas expectativas, na ponderação e na proporcionalidade do amor. Ei-nos então, ressurgidos.

Karina Alcântara

30 dezembro 2010

Seguir...


           Sigo meus passos, e ao meu derredor, vislumbro fragmentos de essências humanas... Essências desnudas, egos ímprobos ou castos, tanto faz... E concluo a partir dessas frações:
           O nosso burilamento consciencial é alcançado a partir das construções que solidificamos com nossas vivências. O que hoje se faz latente é o que ontem não se fez atuante, por isso o mourejar incessante se faz necessário, incansável...
           Embora a incerteza me destitua a racionalidade de alguns passos, prossigo continuamente fiel à sensatez da minha alma.
           Se o acaso me defronta, improviso.
           A sensibilidade me norteia ao que me é peculiar, ao que me transcende a expectativa interior... Companheira abstrata das horas imprevisíveis... Seguimos de mãos dadas, enveredando e descortinando as ambiguidades magistralmente urdidas pelas circunstâncias.
           Intrepidez me impele a desmontar as amarras que me cingem ao medo, à insegurança, à indolência. Quero o novo, a transformação maturada de mim. Quero a liberdade de agir e pensar sem atrelar-me à convicções formadas pelo senso alheio. Quero desamarras de convenções sociais. Quero ser eu, na minha mais pura essencialidade... A maturação que busco é uma espera processual.
           As dores? Inevitáveis...
           O aprendizado? Conseqüência natural...
           Não temo, apenas sigo. Sempre...

Karina Alcântara

27 dezembro 2010

Construção


Construo-me através de fragmentos de fatos e vivências.
Sedimento-me na certeza de ser o que penso.
Ajo em consonância aos meus valores e dissabores.
E resvalo-me algumas vezes, ao sabor da minha torpe imprudência...

Sou mais do que preciso ser em alguns momentos,
Bastante para muitos que me enaltecem o sentido,
Mas se sou pouco no medo que me oprime a razão
É porque muito de mim turvou-se em inação...

Por muitas oportunidades, tornei-me frágil,
A noite acariciou-me o peito opresso,
As lágrimas fustigaram-me a alma
Numa candura de alento impresso...

E descubro-me na refeitura de mim,
Tomando-me em novos significados.
Alinhavo retalhos esquecidos
Da minha essência, há muito abandonados...

Karina Alcântara

  

26 dezembro 2010

Missionários



São tantas as dores,
Bastas, as aflições,
Que segredam aos homens, Teus filhos,
O desespero e a ingratidão...

Púberes invigilantes!
Do Teu regato de amor germinaram.
Enceguecidos pelos apelos amorais,
Por trilhas insalubres, enveredaram...

Mas Tua Misericórdia Divina não tarda
Ao socorro desses celerados...
Sedentos de indulto remissivo,
Choram os desvios praticados.

O remorso os aniquila
Em pungente depuração.
Prometem sanar os débitos,
Em busca da salvação...

Seguem então confiantes
Pelos caminhos sinuosos,
Trilhas incertas, que sem fé,
Geram passos duvidosos...

E do Teu regaço amoroso,
O auxílio não tarda aos Teus filhos.
Como bálsamos curativos envias
Teus emissários amigos...

São missionários de amor
Atuantes na caridade.
Levantam a bandeira do Senhor,
Junto à humanidade...

Karina Alcântara

13 dezembro 2010

Cura


A tessitura da alma urdida
Com a matéria-prima do amor
Evita males diversos
Que levam a desespero e dor...

Comecemos nossa cura
Buscando o socorro na prece
Profilatizemos as dores morais
Na fé, verdadeira benesse

Pois do que se leva em nós,
Seja sempre construção
Para ajudar a erguer outros
Nos momentos de aflição

Comecemos nossa cura...

Karina Alcântara



09 dezembro 2010

Velho Monge

Rio que tantas vezes transbordou
Que tanta sede matou,
Que a muita gente deu de comer


Choro, com tua agonia
Agonizas e pede socorro.
Quem me dera poder te atender,
Quem me dera...

Talvez, quem sabe?
Um dia eu possa encontrar uma forma
Para salvar o teu leito.

Oh! Querido e velho monge,
Lembro de minhas brincadeiras
Quando banhava em tuas águas,
Límpidas, puras e cristalinas;

Ah! Era gostoso e maravilhoso
Era um verdeiro festival,
Beleza e formosura só tuas margens tinham

Rio Parnaíba, tu fostes e sempre serás:
O Rio mais importante do nordeste.

(Orisvaldo Ramos)
Orisvaldo poetizou a imponência, tanto quanto a derrocada e agonia do nosso Velho Monge, codinome de um os maiores rios nordestinos: o rio Parnaíba... A foto acima o retrata em sua mais majestosa opulência. Foi o berço da nossa linda cidade Teresina. A alimentou e a viu prosperar em todas as fases de seu desenvolvimento... O ancião de barbas brancas e a menina folgazã nos albores da sua infância, até sua mocidade cheia de vida e prosperidade. Hoje ela o vê em seus passos lentos a pedir socorro, no sofrimento surdo como o marulhar das suas águas... Ela sofre, pede, clama pela vida de seu velho amigo e pai, através da fé de seus habitantes...  E é no período certo, que as primeiras chuvas caem como bálsamo revigorando nosso Velho Monge... Misturando-se às lágrimas de gratidão da sua jovem menina de olhos verdes, ele mostra toda sua energia na força das suas águas e na imponência de sua majestade, como a consolá-la na sua dor... O ronco de suas águas, mais parece uma prece de gratidão em reconhecimento do amor de sua pupila, menina. E então os vemos novamente, a estreitar os laços de afetividade e amor, presentes na sua gente, no povo teresinense...

Karina Alcântara

06 dezembro 2010

Jesus


           Aproxima-se uma data muito importante do nosso calendário.
          Dezembro representa pra todos nós cristãos, o marco de luz na humanidade, pois há mais de 2000 anos a Misericórdia Divina nos mostrou que apesar de nossos desatinos e desalinhos morais, sempre somos amados infinitamente pelo seu Coração Augusto.
          Deus nos fez reconhecer jamais esquecidos por Ele. Para tanto, enviou ao seio da Terra-Mãe, solo abençoado e marcado pelas nossas dores e lágrimas vertidas na escuridão de nossa ignorância, o filho do Seu coração paternal, para acender a luz da caridade e do amor entre os homens.
          Nascia em terras áridas, acolhido na simplicidade da manjedoura, nosso grande Irmão e Mestres Jesus, ladeado pelos animais, seres simples e filhos também do mesmo Pai.
         Não vestiu-se de púrpura, não foi detentor de ouro nem prata. Seu reinado não se circunscreveu aos aplausos do mundo, não foi submetido às glórias efêmeras, nem às tolas vaidades dos sedentos da egolatria.
         Seu reinado era sim, o de Amor e Caridade. Trazia a pureza e a humildade no coração generoso, a simplicidade nos gestos, no falar, no caminhar... O olhar casto e sereno extravasava pureza e sua sacralidade contrastava com a situação moral do seu rebanho. O falar era uma oração. O conselho, de uma sapiência humílima, atingia as fibras mais íntimas daqueles corações simples que o ouviam e se contagiavam na busca do aprimoramento moral. Sua sabedoria buscava alcançar as pessoas sofridas, amarguradas e desprezadas pelo sistema político-social da época, estruturado pelos expoentes da sociedade, mentes que ainda não haviam descoberto o verdadeiro senso de justiça e igualdade.      
          Estava ainda pra ser plantada a semente divina, pelo grande médico e pastor de almas, em missão peregrina nessa escola abençoada...  
         Seu gesto de amor e sacrifício deixou marcas indeléveis na memória de multidões que arrebanhava ao entardecer, após a faina do dia, às margens do Genesaré, para ouvir suas belíssimas e consoladoras exortações.
         Escreveu com seu sangue e sua dor, a absolvição da humanidade, que em grande parte, não soube compreender os desígnios divinos. Mas a semente ficou plantada, latente, no solo dos corações humanos, a espera da época certa da colheita...

Karina Alcântara

Mãe


Mãe, o amor profundo e incondicional...
Delegado por Deus, à sua mais perfeita criação:
A mulher, a obra-prima de amor e sensibilidade,
Fruto da Misericórdia Divina,
Aos filhos do Seu augusto coração.
Mãe, abriga em teu colo materno,
Os frutos de seu Amor Maior!
Alimenta-os em teu seio bendito,
Ensina-os os primeiros passos,
Mostra com teu exemplo,
A recusar a palavra que fere,
A abrigar em seu ego pueril
O sentido da humildade
Colhe no seu coração infantil
Os primeiros brotos de ervas daninhas...
Ensina-os com tuas lágrimas resignadas
A não lamentar diante das aflições...
Mostra-os o caminho redentor
Com teu exemplo de renúncia.
Ensina-os desde cedo a juntar as mãos em prece,
Quando a dor e alegria o visitem
Mostra com tua sensibilidade, a igualdade fraterna
Pois somos todos uma família de amor...
Deus não poderia ter delegado tarefa tão sublime
A outra pessoa que não sejas tu, mulher, mãe.
És como um anjo na Terra, a velar pela vida dos filhos do teu Pai.  

Karina Alcântara