25 junho 2011

Sabores



O cheiro doce que sopra na tarde...

Fim de tarde com gosto de fruta.

Tons que me asseguram a calmaria.

A tigela de um branco alvo, espera a alquimia.

A arte de mãos que possuem habilidade

Em transformar sabores...

O avental de cambraia, aos poucos tonalizado

Pela química da arte gastronômica,

De quem tem mestria de encantar.

Quem dera eu pudesse provar,

Desse manjar de cores e sabores,

Então seria feliz,

Por uma tarde, que fosse...

Karina Alcântara


23 junho 2011

Lembrança



A partitura da minha alma insone

Versifica a moldura de minhas lembranças

Trazendo à tona versos esquecidos...

Karina Alcantara



18 junho 2011

Pensamento

Da janela aberta das minhas recordações

Ouço passos que não foram dados,

Abraços que não se processaram

Frases que não se eternizaram.

 

Da janela aberta das minhas recordações

Sinto a brisa da minha juventude

Tocar minha alma nostálgica

Em breves momentos de inquietude

 

Da janela aberta das minhas recordações

Vejo o olhar fixo no horizonte

A contemplar o que poderia ter sido

Nos albores dos tempos esquecidos

Karina Alcantara



Solilóquio


Quero ser mais fluida que o ar que respiro.
Ser o sopro da brisa da madrugada
Ao testar de leve o aprumo da natureza.

Quero ser mais clara que os raios do sol.
Ser o calor que aquece as manhãs
Em dias de primaveril beleza.

Quero ser mais límpida que a água.
Ser o líquido que semeia a vida
Na senda maravilhosa da criação.

E na solidão que oportunizo,
No interior vasto do meu ser,
Quero ser a casta reflexão
Da emoção que me permeia.

Karina Alcântara







17 junho 2011

Solidão


Por vezes, a solidão
Que adorna meu peito cansado,
Enxágua minh'alma com o pranto
De recordações, emoldurado.

É de saber que já fui muito
Pra corações que souberam pouco
De amargura a saudade urdida
Na finitude de um amor louco

Que a chuva me umedeça o sentido
De continuar vivendo a busca
E encontrar novamente a razão,
O anverso da emoção que ofusca.

Karina Alcântara




31 maio 2011

O Homem e a Mulher




O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher é o mais sublime dos ideais.

Deus fez para o homem um trono.
Para a mulher, um altar.
O trono exalta.
  O altar santifica.

O homem é o cérebro; a mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz; o coração produz Amor.
A luz fecunda.
O Amor ressuscita.

O homem é forte pela razão.
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence.
As lágrimas comovem.

O homem é capaz de todos os heroísmos.
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece.
O martírio sublima.

O homem tem a supremacia.
A mulher, a preferência.
A supremacia significa a força.
A preferência representa o direito.

O homem é um gênio; a mulher, um anjo.
O gênio é imensurável; o anjo, indefinível.
Contempla-se o infinito.
Admira-se o inefável.

A aspiração do homem é a suprema glória.
A aspiração da mulher é a virtude extrema.
A glória faz tudo grande.
A virtude faz tudo divino.

O homem é um código.
A mulher, um evangelho.
O código corrige.
O evangelho aperfeiçoa.

O homem pensa.
A mulher sonha.
Pensar é ter no crânio uma larva.
Sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um oceano.
  A mulher um lago.
O oceano tem a pérola que adorna.
O lago, a poesia que deslumbra.

O homem é a águia que voa.
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço.
Cantar é conquistar a alma.

O homem é um templo.
A mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos.
Ante o sacrário nos ajoelhamos.

Enfim, o homem está colocado onde termina a terra.
  E a mulher onde começa o céu.

Victor Hugo




Sensibilidade



Sensibilidade...

Fruto da alquimia do ser.

É cor que não desbota

É música que massageia

É cheiro que cura...

Cura as entranhas,

Faz da umbra

Noite estrelada.

Dos acordes,

O lirismo outonal...

Das dores que açoitam,

Faz a macieza constante

Da crueza gritante,

A candura da alma...

Karina Alcântara

24 maio 2011

Ilação



A descrença naquilo que me completa

Ascende-me às fronteiras da incredulidade

E, agasalhando-me em seu regaço,

Toma-me a fragilidade em seus braços.

Eu como que embalado, sonho                       

Feito menino em seu colo

Abstraído de toda a certeza

Que me teria urdido a sensatez.

No meu silêncio gritante,

Errôneo de toda conjectura

Busco a solidez de minhas verdades

E deparo-me com o vazio...

Destituído da razão que liberta

Agonizo nos grilhões do cárcere

De meus remorsos e inquietações

E ao sabor de minhas constatações,

Sigo enceguecido à sombra de minhas incertezas...

Karina Alcântara

19 maio 2011

Fuga



O fechar de olhos, reflete

A fuga do eu atormentado

Na descrença de tudo que verte  

De um sonhar demasiado.


Na sua inteira intangibilidade,

A realidade ecoa em outros brados

Silenciosos pra minh'alma insone

Num sorvedouro obstinado.

 

A busca de sentido completo

Na abstração da realidade,

Reflete vivas contradições

Desvirtuosas da verdade...


A projeção da expectativa

Frustrada num apelo intenso

Faz povoada a mente sã

Com a dúvida e o silêncio...

 

Que seja ele pois o espelho

Das minhas doces inquietações

E também o conselheiro sábio

Dos meus apelos e ilações...

Karina Alcântara

26 abril 2011

Idílio





Obscuridade…
Densa quietude
Emerge do meu silêncio,
Inundado de anseio. 
Por tudo que não quis
Por tudo que perdi. 
Tarde dúlcida
Que translúcida,
Rasga-se ao encontro da noite. 
Feito eu em meu regaço
De amor inacabado.

Karina Alcântara

23 abril 2011

Vento

O vento que sopra
Leva de mim
A sujeira da alma...

O vento que sopra
Traz pra mim
A limpeza da aura...

Que ele seja pra mim
A vastidão do contentamento
Na nobre realização da euforia.

Que oportunize em mim
A ressonância do amor
Em sua plena harmonia.

Faz em mim mais do que devia
No contraste da minha abrangência
Incauta permanência
Que por si só, enebria...

Karina Alcântara

20 abril 2011

Encantamento


Nada tenho nas mãos...
Só o sol me brilha dentro
Numa espécie de encantamento.
Um fogo que não se apaga,
Mas nas mãos, nada se vê...

E de tanto que se queima
O corpo em ardente chama
A fugacidade do enlevo clama
No pensamento que ora teima...

Volto a face à realidade
Na crueza da insensatez.
Aterrisso em ébria poesia,
Cobrindo de beijos tua tez...


E assim persigo minha sina,
De amar sem poder ter.
Numa espécie de encantamento,
Mas nas mãos nada se vê...

Karina Alcântara e Luciana Seloy

18 abril 2011

Tempos Idos...


O caminho que hoje busco
Foi o que outrora feneceu
Entre medos pueris
E anseios juvenis.
A transitoriedade da felicidade
Que faz pouso em meu íntimo,
Acalento-a entre sonhos e devaneios.
Célere e diáfana
Dilui-se a cada arfar
Do peito a sorver
A saciedade em gotas
De amor aprisionado,
De dor liberta,
De inação incontesta
Nos caminhos da desilusão completa...

Karina Alcântara


17 abril 2011

Realidade



Por mais que se queira,
O incerto não enseja
Por mais que se deseje
O improvável não viceja

Por menos que se queira
O inevitável sobrepuja
Por menos que se deseje
O previsível se acusa

O que se foi pretendido e não concretizado
Perdeu-se das teias da oportunidade...
Por mais desconsolo que se tenha produzido
A compunção, no peito oprimido,
Não fará remontar no tempo
O que se foi fragmentado...

Karina Alcântara

07 abril 2011

Sol Interior


Que sempre, o nosso dia seja de sol interior!
Para que os reflexos de nossos raios possam ofuscar os eclipsados que nos rodeiam...
Eles são assim turvos, por alimentarem no seu íntimo as chagas perniciosas da inveja e da frustração.
Agem como autômatos ao comando das sensações inferiores que embotam a mente, sede divina do núcleo da inteligência e do sentimento.
Semeiam em mentes invigilantes e sugestionáveis, a discórdia, fruto da maledicência oriunda de suas percepções insalubres e doentias.
E nesse manancial maculado, de onde brota a felicidade? Surgirá da faxina mental que porventura decidam realizar dentro de si.
Todavia, essas pessoas, por seus atos, nos servem de ferramentas para exercitar o perdão, na sua mais pura inteireza.
Exercitam-nos a tolerância em preciosas oportunidades.
Ajudam-nos a entrever o errôneo caminho que decidiram seguir, evitando-nos assim, as futuras quedas.
Conscientizam-nos das seqüelas dolorosas oriundas das desvirtuadas atitudes que por ignorância resolveram adotar.
Dessa forma, a falseada ideologia que fazem uso, os levam a descaminhos morais, que inevitavelmente, possibilitarão em tempo oportuno,  as bênçãos do arrependimento quando então, buscam em meio ao pranto interior, o caminho redentor...

Karina Alcântara