"O amor não prende, não aperta, não sufoca. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço." (Mário Quintana)
06 julho 2011
Memórias...
Sensibilidade e aflição
Mesclam-se num paradoxo incomum
Urdidos no primor vocabular...
A beleza da arte literária
Extraída na narrativa poética
Estende-se além das linhas
Traduzida em nobreza épica.
Enredos que se eternizam no tempo
Correm na memória milenar,
Contados em textos e contextos,
A quem se disponha a apreciar...
Karina Alcântara
03 julho 2011
Celebração
Cheiros de antigamente dispostos harmonicamente na prateleira branca de madeira da cozinha, atesta o gosto pelo artesanal. Seja nos primeiros raios da manhã ou quando sopra a brisa fria do final de tarde, eis que o cheiro curativo do café exala proveniente do velho fogão a lenha.
A alquimia da cristalinidade da água com o pó dos grãos nigérrimos e brilhantes do café pode traduzir o convite a um repasto de final de tarde, regado a broas, bolos, beijus, bolinhos de polvilho... Todo um festival gastronômico à disposição do degustador mais exigente.
Ademais por trás dessa aparente frugalidade que emoldura esse banquete vespertino, resta configurada a solidificação dos sentimentos afetivos familiares. Risos soltos, expressões leves, anedotas, brilho nos olhos compõem o cenário social e terminam por estreitar cada vez mais os laços de afinidade.
O barulho inquietante dos pequenos, a energia contagiante dos jovens, a ponderação e sapiência dos mais idosos são motivos cruciais para celebrar a vida e a valorização da família enquanto ferramenta construtora de nossos alicerces emocionais.
Karina Alcântara
29 junho 2011
Prazer
Aos primeiros raios matinais,
O perfume primaveril convida
Sobre o viço da relva úmida
Ao prazer da leitura incontida.
Que eu vare cantos e encantos,
Na projeção do imaginário
Em cada linha dessas tramas
Montando e remontando cenários.
A manhã esvai-se célere,
Na transitoriedade do tempo
Agenda reclama compromisso
Mas a leitura eternizou o momento...
Karina Alcântara
28 junho 2011
Singeleza
Aparar as arestas interiores por vezes exige de nós bom senso e legitimidade
Desatrelarmos dos vícios é serviço por demais custoso.
O terreno pedregoso da nossa indigência moral deve ser transformado, ao tempo em que seguimos quebrando pedras e plantando flores...
Tudo é questão de transpor o aparentemente impossível que habita em nós, pois somos passíveis de metamorfoses.
Sejamos como a leveza da floração campestre, como a suavidade de seu perfume...
A singeleza do campo nos embala e impulsiona a novos valores, a novos paradigmas. Apreciarmos a beleza da natureza consiste em revigorarmos as forças e acreditar, que é também na simplicidade da vida, que Deus se revela...
Karina Alcântara
27 junho 2011
Compromisso
Terapia
Na simplicidade da tarde,
Que a brisa efêmera moldura,
A essência dourada exala
O bálsamo curativo da vida.
Na sua textura cristalina
Aquecendo o corpo e a alma,
No bucolismo do campo semeia
A benéfica terapia da calma.
Karina Alcântara
26 junho 2011
Prazer da tarde
Conforto na leitura
Num dia de chuva.
Em cada pingo cristalino
Uma emoção em desalinho.
Breves minutos de misantropia
Aconchegam-me ao leito
Perfumado na penumbra da alcova.
O cheiro do folhear das páginas
Traduzem o prazer que trago em meu peito
Em sorver cada idéia em sincronia,
Na harmonia articulada das linhas...
A luz da tarde úmida que finda,
Visitando a janela como que anuncia
O prelúdio do ocaso que se aproxima...
Karina Alcantara
Violeta
Que eu seja como os tons violáceos da primavera,
que hibernam em nossa alma feito um marca passo da vida.
Temporizando a estação da alegria no nosso íntimo,
da cor que nos cura, da renovação que nos redime...
Aquarelando emoções, segue em sua sina
na moldura do tempo, transformando a estação da vida.
Karina Alcântara
25 junho 2011
Sabores
O cheiro doce que sopra na tarde...
Fim de tarde com gosto de fruta.
Tons que me asseguram a calmaria.
A tigela de um branco alvo, espera a alquimia.
A arte de mãos que possuem habilidade
Em transformar sabores...
O avental de cambraia, aos poucos tonalizado
Pela química da arte gastronômica,
De quem tem mestria de encantar.
Quem dera eu pudesse provar,
Desse manjar de cores e sabores,
Então seria feliz,
Por uma tarde, que fosse...
Karina Alcântara
23 junho 2011
Lembrança
A partitura da minha alma insone
Versifica a moldura de minhas lembranças
Trazendo à tona versos esquecidos...
Karina Alcantara
18 junho 2011
Pensamento
Da janela aberta das minhas recordações
Ouço passos que não foram dados,
Abraços que não se processaram
Frases que não se eternizaram.
Da janela aberta das minhas recordações
Sinto a brisa da minha juventude
Tocar minha alma nostálgica
Em breves momentos de inquietude
Da janela aberta das minhas recordações
Vejo o olhar fixo no horizonte
A contemplar o que poderia ter sido
Nos albores dos tempos esquecidos
Karina Alcantara
Solilóquio
Quero ser mais fluida que o ar que respiro.
Ser o sopro da brisa da madrugada
Ao testar de leve o aprumo da natureza.
Quero ser mais clara que os raios do sol.
Ser o calor que aquece as manhãs
Em dias de primaveril beleza.
Quero ser mais límpida que a água.
Ser o líquido que semeia a vida
Na senda maravilhosa da criação.
E na solidão que oportunizo,
No interior vasto do meu ser,
Quero ser a casta reflexão
Da emoção que me permeia.
Karina Alcântara
17 junho 2011
Solidão
Por vezes, a solidão
Que adorna meu peito cansado,
Enxágua minh'alma com o pranto
De recordações, emoldurado.
É de saber que já fui muito
Pra corações que souberam pouco
De amargura a saudade urdida
Na finitude de um amor louco
Que a chuva me umedeça o sentido
De continuar vivendo a busca
E encontrar novamente a razão,
O anverso da emoção que ofusca.
Que a chuva me umedeça o sentido
De continuar vivendo a busca
E encontrar novamente a razão,
O anverso da emoção que ofusca.
Karina Alcântara
31 maio 2011
O Homem e a Mulher
O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher é o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono.
Para a mulher, um altar.
O trono exalta.
O altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz; o coração produz Amor.
A luz fecunda.
O Amor ressuscita.
O homem é forte pela razão.
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence.
As lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos.
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece.
O martírio sublima.
O homem tem a supremacia.
A mulher, a preferência.
A supremacia significa a força.
A preferência representa o direito.
O homem é um gênio; a mulher, um anjo.
O gênio é imensurável; o anjo, indefinível.
Contempla-se o infinito.
Admira-se o inefável.
A aspiração do homem é a suprema glória.
A aspiração da mulher é a virtude extrema.
A glória faz tudo grande.
A virtude faz tudo divino.
O homem é um código.
A mulher, um evangelho.
O código corrige.
O evangelho aperfeiçoa.
O homem pensa.
A mulher sonha.
Pensar é ter no crânio uma larva.
Sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é um oceano.
A mulher um lago.
O oceano tem a pérola que adorna.
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa.
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço.
Cantar é conquistar a alma.
O homem é um templo.
A mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos.
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra.
E a mulher onde começa o céu.
Victor Hugo
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