09 agosto 2011

Sonhos

 

Quantos sonhos feitos em pedaços...

Tanto esmero em mantê-los intactos

Das torpezas do desengano.

Muitos sonhos embalados,

Na canção do alvorecer

Mas que foram rechaçados

Antes mesmo de acontecer.

Karina Alcântara

08 agosto 2011

Vôo frágil

 Sem perceber vôo longe

Como pássaro buscando pouso

Pra tormentosa noite fria.

Que o sobressalta e fatiga.

Pego em frágil descuido

No limiar entre o dia e a noite,

Plano em franco alvoroço

Na tempestade, meu açoite...

Cada minuto uma sentença

Na nitidez do desengano.

Cada sentença uma esperança

No meu proceder insano...

Karina Alcântara

07 agosto 2011

Faina...

Mal o sol mostrou toda sua excelsitude, ela já se punha em seu trajeto matinal pelo singelo caminho de terra refrescada pelo orvalhar da madrugada.

A sandália trançada já surrada das labutas do cotidiano campesino, fazia jus às recomendações encomiásticas de seu artesão.

A aragem soprava diáfana, fazendo flanar por entre os rebordões viçosos, o níveo avental sobreposto ao xadrez lilás do vestido, que emprestava ao contexto bucólico, recatada moldura primaveril.

As longas madeixas castanhas deslizavam suaves ao longo de suas espáduas, o que a tornava mais encantadora. O sorriso fácil nos lábios rosados deixava entrever a fieira de dentes alvos, e o rubor das faces provocadas pelo calor da manhã, completavam o conjunto harmônico de sua beleza natural.   A candidez no par de olhos safirinos e amendoados, fazia encantar àqueles que os mirassem.

No vigor dos seus 15 anos, sua mocidade despontava altaneira e graciosa. Podia-se dizer de um anjo em visita à Terra.

Levava presa ao braço uma cestinha de vime trançado, a qual voltava cheinha de ramos de alfazema, para enfeitar o pequeno vaso que enfeitava a mesinha da cozinha.   

O perfume já evolava oriundo do solo tingido pelos pés de lavanda que naquela estação, encontravam-se floridos. Era seu local preferido. Ali, esquecia do tempo e entoava canções com sua voz maravilhosa enquanto, com suas delicadas mãos, quase translúcidas, colhiam ternamente cada ramo das perfumadas flores.

Após cheia a cestinha, voltava cantarolando pelo mesmo caminho, já a tempo de ouvir seu nome ser chamado da humilde casa que já avistava.

_ Marianne!!

Avistar seu anjo maternal, a cobre de felicidade indescritível e, correndo ao seu encontro, envolve-a em um amplexo amoroso, aquietando por assim dizer, o coração de mãe sufocado pela demora da filha.

E assim, dois corações ungidos pelo amor verdadeiro, demandam o interior da casa, para dar continuidade à faina diária que as aguardava...

Karina Alcântara

03 agosto 2011

Viagem literária

Mala literária, na sua mais estrita concepção...

Essa a bagagem que mais necessito pra minha viagem cultural.

Vou aonde a leitura me levar, onde o dom criativo me proporcionar o descortinar da emoção.

Sentir-se viva, plena, feliz em cada contexto desbravado nas linhas e entrelinhas, eis o meu intento...

Cada parágrafo uma perspectiva de vitória, de projeções ou simplesmente de inercial passividade frente aos fatos que me acorrentam à perplexidade.

Cada texto, um contexto...

Vou de um pólo a outro, a partir das escolhas que faço dentro dos universos literários que disponho.

Sigo assim, nessa dependência literária, um vício sadio que faço questão de fomentar dentro de mim, pois que me constrói e me anima.

É como fazer uma longa viagem, descortinando horizontes e estradeando em vias nunca dantes transcorridas, na busca de entretenimento e aperfeiçoamento interior sem nunca ter medrado distâncias...

Karina Alcântara





02 agosto 2011

Terapia do Sossego


Tem coisa melhor que ficar de bobeira preguiçando na cama?

Naqueles dias de feriado ou fins de semana com uma chuvinha fina na janela, o tempo frio, tirando aqueles micro-cochilos, na penumbra do quarto quentinho?

O tempo passando lá fora sem pressa e cá dentro, a modorra aumentando...

Tem momentos que precisamos mesmo desse tipo de terapia: terapia do sossego. Possibilitarmo-nos a calmaria interior é remédio curativo.

Aquietamos o corpo, a mente e a alma como protesto à agitação cotidiana das jornadas de trabalho e à cobrança excessiva que sobrepujam nossa liberdade de agir em determinados momentos que terminam por nos levar aos problemas e inquietações diários.

É o nosso grito de liberdade em busca da autonomia do poder ser e fazer o que se quiser, na hora que se desejar...

Permita-se a esses balsamizantes momentos! Pois a cura de muitos males interiores, começam a partir de nós mesmos!

Karina Alcântara



31 julho 2011

O Casarão




O tempo amanheceu com sol, após três dias de chuvas intensas...

Não mais me detive com a curiosidade espicaçada pela antiga construção que da minha janela eu avistava. Desci e arvorei-me na aventura de ir até lá, e em poucos minutos encontrava-me percorrendo o estreito caminho sombrejado por árvores de copas frondosas.

O trinar dos pássaros esvoaçantes a comemorar aquele dia de festiva alegria era o que se ouvia por aquelas paragens.

Após alguns metros de caminhada, a escadaria tornou-se visível... As pequenas colunas escurecidas pelo lodo e a quantidade de folhas caídas atestavam que o abandono do casarão já fazia algum tempo.

As plantas do canteiro, no sopé da pequena escadaria, misturavam-se às ervas daninhas que cresceram com o tempo.

Percorri a área contígua à escadaria e avistei dois grandes janelões e uma enorme e pesada porta de madeira. Tentei abri-la com um movimento em sua maçaneta, mas não obtive sucesso...

De uma fresta de um dos janelões, pude espiar o interior do casarão. Uma ampla sala, com teto e piso de madeira. À esquerda uma escadaria bem larga, levava ao piso superior, que eu julgava abrigar quartos e banheiros. Mesmo sendo de boa madeira, pude perceber algumas avarias, conseqüências fatais do tempo. Alguns lustres de estilo muito antigo, ainda pendiam do teto, parcialmente destruídos...

Observei, de onde eu estava, que a hera formava um verde e viçoso tapete na balaustrada, bem como no vão dos janelões.

Uma arquitetura notável, que lembrava os velhos casarões da antiga Europa.

Fiquei a imaginar, o apogeu daquela belíssima moradia. O primor com o qual deveria estar revestida a organização dos seus cômodos. Quais seriam as características de seus moradores. Quantos empregados exigiriam a sua manutenção diária. Onde estariam?

Estava eu a divagar, quando um súbito barulho, que eu não soube bem precisar, se fez ouvir, oriundo do interior da casa. Tamanho foi meu susto, que a única coisa que passou pela minha mente, foi sair em desabalada carreira. Desci a pequena escadaria exterior, quase sem pisar nos batentes, e pus-me a demandar o caminho estreito de volta... Ao olhar pra trás, ainda correndo, pude avistar de um dos janelões laterais, como que um vulto, no andar de cima... A precisão foi mínima, devido à sujeira acumulada nas vidraças. E voltando pra casa, fiquei a imaginar, se a imagem difusa que avistei foi irreal, devido ao medo e à excitação, se foi o vulto de um ser humano ou vulto de algum antigo morador que, irritado com minha presença, tratou de me afastar dali...

O que sei, é que não fiquei lá pra constatar essa macabra dúvida, mas de resto falo, que nunca mais porei meus pés naquele local de rara beleza, mas assustador...

Karina Alcântara

 

24 julho 2011

Distância


Quando  se apartam corações afetos.

A distância é mormente dorida

Bom seria que nunca fosse,

Chegado o dia da despedida.

 

Abraços e beijos calorosos,

Selam o compromisso do amor.

A saudade diária é o que fica

No adeus resignado da dor.

 

E para mitigar a aflição,

Cartas e fotos enviadas

Como recurso restante

Às almas dilaceradas...

Karina Alcântara



Deleite



Doce capricho...

Deleite garantido ao paladar.

O correr da hora anuncia o apetite.

Mesa posta pra degustação começar.

Karina Alcântara

 

22 julho 2011

Vida


Minha vida feita em fragmentos de cor...

Cada matiz um sentimento, um fato.

Termino assim, por amenizar as dores

Com a moldura das cores...

Nesse contexto profilatizo tristezas,

Nesse contexto diagnostico alegrias.

Sintetizo no meu existir,

A essência do melhor que fiz,

Na amálgama do que de bom recebi.

Eis aí porção do meu aprendizado,

Da minha lição de vida...

Karina Alcântara

Imagem

Delicadeza e perfeição presentes na arte de encantar.
Cores e artefatos na harmonia contextual,
Constituem a imagem, que acalenta a mente de quem a vê...

Karina Alcântara

No inverno...


Doce prazer de inverno.

Morna iguaria aquece minha alma letárgica.

Envolta em macias cobertas, vaga meu pensamento inerme, sem a coragem de desembaraçar-me.

A janela é meu suave refúgio, donde respiro a paisagem branca e gélida da estação invernal.

Sob o espesso tapete branco, jaz o florido caminho, de pedrinhas entremeadas a margaridas, que na estação primaveril, encanta os olhos dos transeuntes.

A cerca de madeira branca, camufla-se à cor típica da estação invernosa, e a solidão do carteiro atesta a ausência de missivas que me restaurariam o contentamento.

Meu suspiro corta o silêncio reinante...

A neve volta a cair translúcida...

Olho para o lado e avisto o livro deixado de lado, no momento que demandei a cozinha em busca de algo que me amornasse o ânimo.

Levanto-me e alcanço o livro, e na página marcada, retorno a leitura.

E novamente, meu íntimo enche-se de satisfação, plenificado no prazer  da viagem literária que me distrai e preenche o dia...

 

Karina Alcântara



Cotidiano

Tenho às mãos,

A leveza do sopro da manhã.

 

Tenho às mãos,

A tepidez dos raios matinais.

 

Tenho às mãos,

A refrescância do orvalho.

 

Tenho em mim a sede de vida

Saciada em frações do dia.

Na singeleza dos fatos cotidianos

Que me revigora e contagia...

Karina Alcântara



Simplicidade




A chave da felicidade,

Pode estar escondida

Nas pequenas coisas da vida...

 

Na arte que lapida a criatividade,

Na música que aperfeiçoa a sensibilidade,

No altruísmo que dignifica a individualidade...

 

Não precisa de inteligência,

Mas, de perspicácia

Para entender que a lógica que move o mundo

Reside na simplicidade e humildade...

Karina Alcântara

20 julho 2011

Desbravar



 

Eu no meu universo

Liberto das amarras que me retêm.

Vôo alto, vôo longe

No meu ego desbravado.

Senhor dos meus sonhos,

Busco a felicidade alhures.

No meu corcel encantado

Descortinando céu e nuvens:

Do meu eu

Do meu ser

Do meu ter...

Karina Alcântara