22 julho 2011

Cotidiano

Tenho às mãos,

A leveza do sopro da manhã.

 

Tenho às mãos,

A tepidez dos raios matinais.

 

Tenho às mãos,

A refrescância do orvalho.

 

Tenho em mim a sede de vida

Saciada em frações do dia.

Na singeleza dos fatos cotidianos

Que me revigora e contagia...

Karina Alcântara



Simplicidade




A chave da felicidade,

Pode estar escondida

Nas pequenas coisas da vida...

 

Na arte que lapida a criatividade,

Na música que aperfeiçoa a sensibilidade,

No altruísmo que dignifica a individualidade...

 

Não precisa de inteligência,

Mas, de perspicácia

Para entender que a lógica que move o mundo

Reside na simplicidade e humildade...

Karina Alcântara

20 julho 2011

Desbravar



 

Eu no meu universo

Liberto das amarras que me retêm.

Vôo alto, vôo longe

No meu ego desbravado.

Senhor dos meus sonhos,

Busco a felicidade alhures.

No meu corcel encantado

Descortinando céu e nuvens:

Do meu eu

Do meu ser

Do meu ter...

Karina Alcântara



19 julho 2011

Lassidão...


Ando a esmo,

Na solidão do dia.

Esquecendo de mim,

Dou vazão à nostalgia

Que em mim se instala.

Delibera...

Anestesia em mim o aprumo

E me enlaço no descompasso

Do pensamento que inebria.

Na incerteza do itinerário,

Na lassidão do meu espaço

A friagem debilita o passo,

E por dentro, a dor acaricia...

Karina Alcântara



18 julho 2011

Sabor da Tarde


O doce sabor da tarde,

A despertar a letargia

Que em mim fez pouso certo

Trazendo sentido ao dia.

 

Na mescla aquarelada

O tom rosáceo inebria.

No gosto dúlcido e acurado,

Revigorante que sacia.

 

O toque acetinado

Na moldura exterior

Tem refino perolado

Obra-prima do autor...

Karina Alcãntara



17 julho 2011

Alcova

Aconchego e segurança

Simplificam a rotina infrene.

Privacidade que almejo

Ao final do dia indene.

 

O cheiro de tudo que me cura

No meu universo particular

Local do deleite interior

No silêncio a balsamizar...

 

Assim entrego-me sem reservas

Ao repouso que me edifica.

A bênção do sono restaura

As forças que foram exauridas...

Karina Alcântara



16 julho 2011

Tempo e Encantos


Tempo de cores.

Tempo de amores.

 

A relva permeada

Pela maciez floral.

O cheiro da natureza

No passeio matinal.

 

Quem dera estivesse tu

Meu derradeiro encanto,

A flanar comigo entre os prados

A enxugar o meu pranto.

 

A saudade dorida umedece

A face ofuscada pela dor

Pois tua ausência em mim recorda

A renúncia do amor...

Karina Alcântara



13 julho 2011

Cerzimento




Que os alinhavos do tempo

Possibilitem em mim,

Amarras do que me frutifique...

 

Que os alinhavos do tempo

Recolham em mim,

Os retalhos da sobrevivência emocional...

 

Que os alinhavos do tempo

Arrematem em mim,

O cerzir necessário,

Pra feitura da minh’alma...

Karina Alcântara

12 julho 2011

Doçura


A docilidade que aguça.

O sabor que vivifica a divina gula,

Que faz esmaecer em mim o amargor do dia,

Que faz jus à gastronomia.

Remetendo-me aos tempos idos da juventude

Nos retalhos de vida, cerzidos amiúde...

Karina Alcântara



11 julho 2011

Reforma

Que as raízes da infância do nosso viver, levem até a frondosa copa de nossa maturidade, a seiva pura que nos reservará a possibilidade de gerar frutos que nos saciarão a fome de paz e plenitude interior...

Karina Alcântara



Reflexões

Cores e sabores...

O doce sabor da minha infância.

Gritos e risos alegres.

Pernas na celeridade que se permitem nos folguedos de então.

O tempo todo conspira para a fantasia se eternizar no passar das horas.

O descompromisso com a responsabilidade, lembrando-nos o tempo todo a condição de ser criança..

O faz de conta afasta a seriedade do futuro, permitindo paulatinamente a construção de nossos alicerces emocionais.

As brincadeiras extremamente sadias aconteciam ali, na rua, no tempo em que a infância era respeitada: pega-pega, esconde-esconde, pula corda, pula elástico, caí no poço, dentre outras...

Podia-se andar livremente de bicicleta nas ruas sem medo. Não existiam os jogos eletrônicos viciantes que individualizam ou criam sociedades virtuais, mas diversões que socializavam e eram extremamente benéficas no processo de aprendizagem pessoal.

Um tempo em que a hierarquia social e familiar era respeitada. Que os valores éticos eram priorizados na conduta individual. E isso era pontuado na parceria escola-família.

Será isso fruto do progresso de um determinado local, ou seqüelas da nova estruturação familiar que têm se delineado nos últimos tempos? Pode ser que as pessoas não estejam sabendo lidar com essa nova conformação social oriunda do desenvolvimento econômico e as necessidades que dele advêm, mas o certo é que, a hora da reflexão para ponderarmos sobre novos valores é chegada. E fica a cargo de nossa consciência, a mudança de paradigmas que poderão fazer a grande diferença no futuro da nova geração que medra sob nossa tutela.

Karina Alcântara

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Cura pra alma

          Pequenos detalhes da vida nos passam despercebidos, diante de nossa pouca disponibilidade em observar.

          Quantas cenas impressionantes e quantas maravilhas tornam-se dessa forma invisíveis aos nossos olhos...

          Essa visão micro nos é necessária aos olhos para que possamos dimensionar a grandeza da criação. Para que possamos admirar a beleza existente ao nosso redor e podermos realizar transformações interiores que repercutirão na forma como encaramos o nosso dia a dia.

          Perdemos muito tempo em reclamações e irritabilidade o que produz em nosso psíquico, intolerância e insatisfação que, de certa forma, agem na diminuição de nossa expectativa de vida saudável.

          Deus dotou nosso planeta de tudo o que necessitamos e as belezas da natureza também têm um papel preponderante no cenário da vida: o de servir de terapia para a alma...

Karina Alcântara



10 julho 2011

Bucolismo



          O dia era de um frescor digno de nota. O céu azul e a tepidez da temperatura arrematavam o cenário perfeito para excursões campesinas... No varal, a brisa que soprava amena balouçava as roupas, como a avisar que já estavam prontas para serem recolhidas. A leveza esvoaçante das peças atestava que nenhum traço de umidade restava... Essa, a conclusão de Lena, recostada à porta branca da cozinha trabalhada por mãos experientes.

          Próximo ao batente da cozinha, no rodapé externo da casa, um canteirinho abrigava, limitados por uma cerquilha de madeira, lindos miosótis, margaridas e gerânios que enfeitavam o bucólico cenário.

         Os cômodos da casa, onde iriam abrigar os hóspedes, já estavam todos limpos e devidamente preparados para a temporada de férias. Era sempre assim, os netos de Lena sempre passavam férias naquela herdade. Eram dias de corre-corre para satisfazê-los nas mínimas necessidades. Eram dias esperados, quando a casa se enchia de efusiva alegria. O balanço de corda e madeira sob a velha figueira voltaria a ranger alegremente. Os banhos no riacho de águas muito claras, que passava ao fundo do pomar, também era bastante lembrado por eles.       

          O floral vivo da toalha de mesa no varal lembra a Lena que não tarda a chegada dos hóspedes. Saiu de seu devaneio e apressou-se a recolher as peças estendidas para passá-las sem demora e dar prosseguimento às suas atividades. Olhou para o relógio. Eram 16 horas. O cheiro do bolo assando espraiou-se pela casa e as maçãs colhidas pela manhã, já aguardavam a um canto, para dar cumprimento ao ritual gastronômico a que se destinavam.

         Ao chegar, estariam famintos e a mesa já deveria estar posta com o repasto da tarde. Sucos, bolos, pães de queijo, geléia... Quitutes variados ornamentavam tão primorosa e convidativa mesa.

         E assim se deu, pois ao chegarem, o velho fogão a lenha era o co-responsável pelo cheiro exalante do café que estava sendo coado, bem como, pela fervura alva do leite fresco que lhe serviria de companhia no festim de acepipes e guloseimas.

         A terapia da alma processa-se no singelo bucolismo do campo, quando nos permitimos à tarefa de nos despir das urgências que a vida dos grandes centros nos impõe. Na verdade, urgências por vezes desastrosas em nossa vida emocional, quando nos deixamos deslumbrar por uma vida de excessos de todos os matizes e terminamos por esquecer a simplicidade com a qual devemos emoldurar nosso cotidiano.

Karina Alcântara.    

09 julho 2011

Fragmento


       
          Alquimia de cheiros, cores e encantos...
          Elegendo em nós, alegria constante.
          Nos versos de emoção sobranceira
          A nos elevar tornando único o instante.
         

Karina Alcântara



Terapia


           O primor e a simplicidade ornados pela arte da aquarela natural.

          A tonalidade imponente com a qual se reveste tamanha perfeição, acusa a magistral identidade do seu criador.

          Delicada textura das pétalas rosáceas, inebriadas por suave perfume, empresta beleza e perfeição aos olhos do mundo. O frescor do orvalho pousado em sua corola macia, suaviza as dores da alma de quem o avista, dando novos significados ao horizonte da sensibilidade interior.

          É de se notar que uma obra desse quilate, atesta a superioridade de seu artesão, e que por outro lado, impressiona o fato de que muitos ainda não desenvolveram dentro de si o dom de perceber as singularidades entremeadas no contrapasso do cotidiano. Deus se manifesta nos diminutos detalhes da vida.

          No canteiro do jardim, numa delicada jarra a enfeitar a mesa ou mesmo em um singelo buquê, as flores sempre desempenharão o seu ofício: atenuar as dores do mundo e colorir de matizes mil, os escaninhos mais recônditos da alma...

Karina Alcântara