22 novembro 2011

Rosa



Se a vida corre pontuada
Por entre cores e amores,
Desfolhando a esperança
Abrigada em ardores.

Se a rosa existe
Em sua singular beleza
Casta, intocável e rara,
Em nostálgica singeleza.

A fugacidade do ser existe
Na contemplação da vida
Fugidia luz que trespassa
O horizonte da esperança...

Karina Alcântara

07 novembro 2011

Intempéries





Intempéries emocionais,
No frescor outonal
Emolduram o cenário íntimo.

Entre as sombras da razão
Vislumbro retalhos de mim.

Em cada folha, uma história
Levada pelo vento da vida.

A metamorfose da alma acontece
Dando sentido e harmonia...

Karina Alcântara



30 outubro 2011

Alquimia




O cheiro que me trespassa
A alma sentimental
A soprar do jardim das recordações

É o cheiro que me fascina
O íntimo inquieto
Feito fogo a me depurar...

O cheiro que me faz letargia
No pensamento fugaz
É o que silencia minha voz
E faz gritar meu peito...

Em pretéritas alquimias...

Karina Alcântara

19 outubro 2011

Vivência

Ando a ermo...
Qualquer direção que sigo, é o rumo certo para a incerteza do coração.
Sinto o vento sibilar, levando de mim o frescor dos meus sonhos...
A réstia do ser que me sobra, inunda-me de pranto e saudade.
Meus olhos fartos de desilusões impulsionam-me ao horizonte das minhas esperanças. Ainda que me faltem...
Sou errante, a vagar entre minhas proposições e desacertos.
Sou arte feita a ser arrematada em cada vivência, em cada lágrima, em cada sorriso...

Karina Alcântara


Fina arte

Tanta arte...
Faz pena degustar...

18 outubro 2011

Encantos


O doce esplendor da manhã
Emoldurado por aromas frutais,
Convida para fino repasto
Entre encantos naturais...

Karina Alcântara

16 outubro 2011

Lembranças




Na penumbra de mim,
Recolho parcas imagens
Do que significou a eternidade...

Como folhas soltas ao vento
Na brisa fria do passado,
Perpassa em minha face

Feito seda desbotada
Alegorias em retalhos
Do que foi minha ventura...

Karina Alcântara


Chamado



A vida nos condiciona a exercitar
No tempo certo da semeadura
O que de certo nos apruma o sentido.

O que nos direciona e vitaliza
O íntimo arguto e sedento,
De trabalho e caridade

Faz de nós instrumentos no tempo
Na seara divina de bênçãos...

Karina Alcântara

09 outubro 2011

Repasto


Na doce frugalidade
Do ocaso veranil,
O apelo da arte faz sentido.

Aos meus olhos atônitos,
Indelével pujança do aroma
Empresta lugar ao deleite...

O prazer da saciedade
Embota os sentidos faltos
De um repasto divinal...

Karina Alcântara


Bordado da vida





Se é no bordado da vida
Onde alinhavo emoções contidas.
É à alma umbrada que sobra
A quedar-se em perspectivas.

Tão rudes quanto o lajedo inerme,
Tão reais quanto a brisa fria.
Que na pulsilanimidade das horas seguem,
A me tornear a razão sorvida...

Karina Alcântara

06 outubro 2011

Tempo transcorrido

Tempo transcorrido.
Idéia que se ausenta.
Fatos descorados
Pela fuligem das esperas.
Como folha solta
Que corre a ermo.
No ocaso dourado
Das minhas lembranças...

Karina Alcântara



15 setembro 2011

Amor de avó e neta



          Por vezes gratidão e reconhecimento tomam forma de mulher, a partir dos tempos idos de criança...

          O dourado das madeixas loiras de tão pueril criança, soltas pelos pequenos ombros ao correr pelo longo corredor... As pernas ainda curtas atestam a fragilidade de seus passos. O sorriso largo e cristalino ao receber os mimos e presentes doados pelo coração de avó... Os bracinhos ainda eram muito curtos para retribuir as manifestações de afetos recebidas. Mas sem saber, já agradecia com sua infantil presença.

         O calendário do tempo corre inexorável traduzindo as mudanças no corpo e na alma... Vemos que a madureza dos corpos corre em progressão aritmética, pois enquanto para uma descortina todo o horizonte de realizações e projetos pessoais, para a outra em contrapartida, a desaceleração da coordenação física é visível.

        A candura e paciência da neta querida põem à prova o afeto recíproco, urdido por longos anos... Se outrora, aquela pequena criança foi alvo dos cuidados e atenção da avó dedicada, agora o cenário da vida se inverte, e o que vemos claramente, é a gratidão e o amor tomar forma e significado. Agora, não mais os pequenos passos do pretérito no longo corredor. Agora eram passos mais longos e firmes da acadêmica em Medicina, que adentram a velha casa, que fora o cenário de tantas recordações... O mesmo olhar, o mesmo sorriso, os mesmos elogios de um coração que mesmo nas adversidades da vida, nunca esqueceu de amar, a recepcionam. A balsamizante bênção lhe conforta o íntimo e lhe fortalece para os embates do dia a dia. O almoço e o sono antes de voltar pra mais uma bateria de aulas, lhe revigoram...

      Quantos encontros, quantos passeios ao shopping, quanta cumplicidade escondida pela sombra do tempo...

      O destino é tão imprevisível quanto irônico. Um trágico incidente, põe mais uma vez à prova tanto amor e dedicação da neta... Foram dias de zelo, cuidado e doação... O sofrimento no coração descompassado pela dor e pela dúvida acerca do tempo que ainda restava... Quantas lágrimas enxugadas às escondidas... Quantas esperanças confidenciadas em sentidas orações. Até que um dia, teve Deus a certeza do chamado que iria fazer...

      A dor lancinante tornava frágil o coração de menina pela perda de sua grande amiga, que foi levada pelas asas do tempo. Não mais o sorriso, não mais o aconchego, não mais os lentos passos dados em sincronia com sua querida avó... Agora, é só saudade...

     Floripes, ou sua doce Flor de Lis, que se desprendeu do jardim familiar e ainda hoje, paira acima de sua saudade...

 

Karina Alcântara

14 setembro 2011

Calmaria...



A brisa suave acariciava-me a fronte.
Olho para o infinito e me reporto...
Ao doce acalanto do azul impávido,
Deixo-me embalar em doces vagas...

Calmaria...

Leve torpor me vence a alma,
Entrego-me a mansa letargia que me resta.
Passando por horas esquecidas, sigo
No pensamento que me leva...

Em silente calmaria...

Karina Alcântara



06 setembro 2011

Outono


O outono tingira a paisagem com seus tons dourados.
Ao espraiar-se o olhar sobre o horizonte, distinguia-se claramente, a amálgama de tons outonáceos na planície de plátanos.
A cada bafejar da brisa fria da tarde, punha a se formar um rico tapete como que rebordado em ouro, a se estender no solo.
O sol ainda teimava em ostentar a calidez dos seus raios, na sua despedida rotineira.
O silêncio total reinava soberano naquelas paragens...
Ali era o local ideal para viagens contemplativas, usando-se o recurso da meditação.
Chegavam aos meus ouvidos, a cada passo articulado, somente o farfalhar surdo das folhas secas deitadas no solo úmido.
O caminho levava a uma alameda cuja sombra fazia-se penumbra.
Finalmente avistei as galhadas baixas da árvore da minha infância. E logo adiante, repousando em águas tranqüilas, o velho barco, que tantas recordações agora me proporciona.
Por uns instantes, estaquei com os olhos úmidos a mirar o lago, como a aguçar em minha mente a paisagem da época dos folguedos da infância, onde vínhamos no verão para passeios de barco e mergulhos inesquecíveis...
Lembranças que me refazem o íntimo...
Quase posso ouvir os gritos e o riso fácil e cristalino a ecoar por entre os arvoredos.
Um tempo que vai longe, mas que ainda hoje é terapêutico nas minhas reminiscências.
Sentei-me no barco e fiquei a divagar por algum tempo, como a experimentar novamente as velhas sensações de um tempo mágico.
Então, despertando do enlevo, pus-me ao caminho de volta, e quando alcancei a casa, as primeiras estrelas já apontavam no firmamento...

Karina Alcântara

03 setembro 2011

Primeiro amor

No olhar, o primeiro encontro...

A cumplicidade se estabelece entre as coincidências do magnetismo que funde dois corações.

A vida segue em confidências silenciosas.

Sonhos em plena vigília povoam mundos particulares.

O anseio e a saudade mesclam-se na euforia do amor

Que por vezes num misto de dor e alegria,

Remete-nos ao paraíso...

 

Karina Alcântara