01 novembro 2012

Rememórias


Pétalas tênues da aurora
Banhadas pelo choro noturno
Em balbuciar quase exsudo
Desfazendo-se como outrora...

Nas minhas parcas rememórias
Tua beleza e frescor taciturnos
Trazem-me o alento algemado
Ao meu viver obtuso.

Karina Alcântara   


25 outubro 2012

A Verdadeira Missão


Não vim pra ser feliz eternamente,
Mas com minhas dores, ensinar a resignação...
Não vim para colecionar títulos e valores materiais,
Mas erguer os que tombaram na ilusão do ouro...
Não vim para impressionar-vos com aquisições mundanas,
Mas com minha escassez financeira, ensinar a humildade aos ricos do mundo...
Não vim para chorar minhas lágrimas nos ombros alheios,
Mas consolar os aflitos no pranto da desesperança...
No meu silêncio busco a reflexão das minhas faltas.
Na minha solidão reavalio os potenciais morais que disponho.
Quando esquecido estou pelos que me rodeiam, em oração me encontro,
Para transformar a dor e a incompreensão que me visitam,
Em verdadeiros caminhos de transformação pelos quais sigo,
Para assim continuar cumprindo minha missão...

Karina Alcântara



12 outubro 2012

Andar



Que minha vida seja de rimas e versos
Entoados por suave canção
E nas veredas por onde sigo inerme
Vão preenchendo a solidão...

Que meu cantar seja raro
Feito a chuva , no verão
Que na aridez da minh'alma
Faz brotar a gratidão

De poder colorir de canto
As mazelas opacas da vida
Como prece que se estende ao Alto
Nos refolhos do coração...

Karina Alcântara
 



03 outubro 2012

Tua cor



Tua cor revela o ouro
Nas primícias da primavera
Em pétalas qual papel de seda
Emoldurando divinal tela...

Na aquarela do cenário
Pintada por mãos magistrais,
Repousa latente perfeição
Nos prelúdios matinais...

Karina Alcântara

Revele


Que a cor da tua tez
Revele em mim o orvalhar,
A purificar o semblante belo,
Que ostentas num sorriso.

Que a tua permanência
Seja feito candura e paz
A propagar em mim, afago
Que num sentido, se desfaz...

Karina Alcântara


29 setembro 2012

Prelúdio da calma



Que a limpidez do teu encanto
Traduza em mim, a paz que busco.
O doce acalento das horas, findam
No crepúsculo da minha agonia,
A bruma leve que soprava infrene
Meus dissabores e alegrias.
Jaz no solo do meu coração
A partitura infinda da minh'alma
Soneto que ao longe ecoa
O saudoso prelúdio da calma...


Karina Alcântara

21 setembro 2012

Tua face



Sem tua face em meus olhos
São ermos meus caminhos,
E feito o pó da estrada,
Vou assim, prosseguindo...
O vento toca minha tez
A sussurrar-me um alento
Mas sou feito gota d'água
Que se desfaz num momento...

Karina Alcântara







11 setembro 2012

Setembro



A despeito do despeito de muitos, setembro floresceu, aquarelando as intempéries da alma...
Poucos o percebem, ocupados que estão com as frivolidades do mundo.
Sua beleza magistral é para os que encontram na natureza, a poética da vida,
E aprenderam a arte de transformar pedras em flores...

Karina Alcântara

Sentimentos



Vou enfileirar meus sentimentos, 
Um a um na estrada do tempo.
E sopesar o efeito deles,
No cabedal dos meus tormentos...

Há os que céleres, são fugazes, 
Mal deixando o sabor na alma.
Os mais intensos, por vezes transformam, 
A nefasta agonia em calma...

Sigo então minha longa estrada, 
Tutelada por meus silêncios
Devaneando sonhos e alegrias,
Mitigando o sofrimento...

Karina Alcântara

16 agosto 2012

Infinitude



Na infinitude que representas
Diante da finitude de tua beleza
Promoves em mim a sapiência
De apreciar-te na natureza...

Karina Alcântara

14 agosto 2012

Silêncio



Busco o silêncio das horas calmas
No ouro pardo da tua copa
Que me enobrece o sentido falto
De minhas andanças de outrora...

A maturação é meu desafio
Que busco com afã, sem medida
Burilando em mim a esperança,
Vivo a pontuar minha vida...

Karina Alcântara

08 agosto 2012

Graciosa



Graciosa és, na fímbria da primavera
A ostentar o teu amarelo ouro
Na diversidade das horas...

Karina Alcântara

03 agosto 2012

Liberdade


A liberdade que trago em mim
Traduz-se no amparo da vida
Conjugando o verbo da esperança
Que achei deixado a deriva
Nos tempos idos de criança.

Karina Alcântara